Quem trabalha com informática, sabe que existem duas grandes fronteiras quanto a licenciamento, desenvolvimento e uso de software: O Software Proprietário e o Software Livre. Acho que dispenso em explicar o que é cada conceito. Como estamos num processo de usar tecnologias abertas e gratuitas, sabemos quão importante ter a liberdade de criar e recriar algo, para que possamos moldar um produto final da forma como desejamos. Coisa que, com produtos proprietários, nos deixa a desejar em alguns pontos.
É natural que critiquemos a Microsoft. Afinal, é a maior empresa de software do mundo, com diversos segmentos nos quais ela ou ela é líder ou então está quase líder. Isso é perfeitamente natural, mas nós defensores de software livre nos decepcionamos quando a Microsoft quer impor tecnologias e não deixar nós escolhermos a forma como aplicar.
Por exemplo, antigamente a Microsoft criava padrões que só ela entendia e só com os produtos delas é que era possível criar algo que só funcionava em seus produtos. Exemplo: DirectX. O SDK do DirectX, até aonde entendo, só pode ser desenvolvida em cima do Visual Studio e apenas usada no Windows, não tendo suporte algum a outros sistemas operacionais. Diferente de, por exemplo ao SDL, que é similar ao DirectX, mas está disponível a dezenas de sistemas operacionais.
No início do século 21, a Microsoft adotou outra postura, com o crescimento do mercado de software livre: ela passou criar padrões certificados e mostrava como interconectar aos seus produtos, mas já criava métodos que só eles poderiam mexer a 100%. Exemplo disso seria o OpenXML, do pacote Office. O OpenXML foi uma tentativa da Microsoft de padronizar a criação de documentos, planilhas e apresentações; deixando livre a escolha do usuário se queria manipular este documento no Microsoft Office ou através do Open Office. A principal falha da Microsoft, em não ter conseguidos homologar este padrão, é ter criado diretivas que tornavam este padrão fechado, com o emprego de tags como “Parágrafo formatado como no Word 97 formatava”.
Agora, você se pergunta: “Ok, muito legal em ter me contado esses assuntos passados, mas qual a novidade”? Bem, eis a novidade: Hoje, A Microsoft estará liberando API’s para que desenvolvedores e usuários de software livre possam criar interfaces de conexões ao seus produtos. E a melhor das notícias: Ela não mais processará quem realizar tais operações, como o caça às bruxas que ela fez ao dizer que Linux inflige patentes da Microsoft, sem revelar quais.
Pessoalmente eu vejo a notícia de maneira positiva. Afinal, não sou contra a Microsoft de criar e vender produtos. Afinal, cada um pratica a forma como faz seus programas e como deve ser seu licenciamento. Eu acredito que o produto é que não deva criar restrições à seus usuários. Por exemplo, uma corporação que use rede Microsoft de interconexão de desktops e servidores não poder usar o serviço Samba para conectar a um ‘file server’ e pegar aquele documento de Office e não poder editá-lo usando OpenOffice porque a Microsoft dizia que isso era uma violação dos produtos por ela oferecidos. Tornar essa prática licenciada e, principalmente, documentada e aberta ao público, trará benefícios mútuos a todos. Poderemos escolher qual a forma que desejamos utilizar nossos computadores e como podemos interagir com os programas para manipular algum arquivo.
Hoje é um dia histórico. Para tornar as coisas ainda mais interessantes, só faltava o Windows ser gratuito. 