O poder do open source

Ontem comprovei a mim mesmo como um programa open source é extremamente benéfico para o usuário final. Saber disso é uma coisa. Experimentar o poder ‘de facto’, é outra. Vamos ao caso…

Ontem, ao logar normalmente nos protocolos de ‘instant messenger’ que uso através do programa Pidgin (ex-GAIM), tive erro de conexão no protocolo usado pelo ICQ, que é o OSCAR. O erro dizia:

“The client version you are using is too old. Please upgrade at http://pidgin.im/”;

Realmente, meu pidgin era ‘old’. Afinal, uso a 2.2.1 que é que o Ubuntu 7.10 me oferece (e atualiza quando há novas atualizações em relação a 2.2.x) e eu nunca me preocupei em atualizar para a versão 2.4.x. Mas como o repositório oficial do Ubuntu não falou nada e também atualizando-o não deu em nada, resolvi baixar e compilar a versão 2.4.2, a versão recente e fresquinha no site do fabricante.

Baixei, instalei algumas libs-dev necessárias para habilitar algumas funções, feito os três passos normais de install, o famoso “configure; make; make install”. Abri o pidgin e… Mesma coisa. WTF? Eu atualizei a versão do pidgin.

Procurando pela mensagem de erro pelo Google afora, vi tópicos em fórums e também em mailing lists que estavam todos tendo os mesmos erros que eu, apesarem de ter a versão mais recente do produto. E ninguém entendia o porquê de parar de funcionar. Pensando comigo mesmo, lembrei de uma época aonde a AOL (quem comprou a Mirabilis), por duas vezes, sacanearam os usuários de clientes antigos de ICQ. Na primeira vez, em 2002, quem não usava o ICQ 2001 ou superior recebia duas mensagens idênticas de resposta ao falar com os outros usuários de ICQ. Ou seja, se uma pessoa te mandava um “oi”, esse “oi” vinham sempre em duas mensagens, o que te obrigava a clicar duas vezes no usuário. Isso obrigou o ‘upgrade’ forçado que, na época, me frustrava pq a versão 2001 era muito cheio de firulas e era pesado. Ok, fi-lo. Na segunda vez em que sacanearam, já em 2005, qualquer cliente que não tivesse a versão Lite ou Pro do ICQ 5 tomou toco. Simplesmente desconectava os usuários de programas antigos, novamente forçando o upgrade. Enfim, como a AOL adora lançar novas versões e forçar o upgrade, não me espantaria que o mesmo teria ocorrido agora em 1 de julho de 2008. Afinal, marca a metade do ano. Nada mais justo (para eles, claro).

Enfim, voltei a página do Pidgin, tentando buscar informaçõs, e estava fora. Estava tendo erros de ‘time-out’. Não me parecia muita novidade. Afinal, o ICQ é bastante usado ainda em alguns países, além de ser o mesmo protocolo do AIM, algo bem utilizado nos EUA. Logo, nota-se o desespero dos usuários à procura de soluções para o Pidgin. Ainda procurando formas de alterar o protocolo do OSCAR, achei essa url. Ela seria a forma de mudar o pigdgin 2.4.2 para que seja aceito pelos servidores do ICQ. Só alterar a seguinte linha, no source, destacado em negrito:

#define CLIENTINFO_PURPLE_ICQ { \
“Purple/” VERSION, \
0×010b, \
0×0014, 0×0034, \
0×0000, 0×0bb8, \
0×0000043d, \

Fui lá eu de novo no source em minha máquina, rodei um ‘make clean’ para apagar toda a compilação do Pidgin. Editei o arquivo SOURCE_DO_PIDGIN/libpurple/protocols/oscar/oscar.h e alterei a tal linha descrita no site. ‘make’… naveguei entre o source do pigdgin até encotrar o oscar.so.0.0.0, a lib do ICQ/GAIM já recompilada. Copiei em cima do que existia em /usr/local/lib/pidgin, fechei o programa e abri. PRONTO! ICQ voltando a funcionar.

Essa é a magia do Open Source. É o poder de você ver aonde está o problema, resolver o problema e poder voltar a utilizar o programa da forma como você quer, da forma como você precisa, na hora em que você quer e, em alguns casos, independente dos outros. Algumas vezes nos desapontamos quando uma empresa de desenvolvimento de código proprietário nos impede de consertar um problema no programa deles porque não querem que o usuário saiba o código e, por isso, perderiam seus clientes ou perderiam seus segredos. Eu acho isso dificíil. Afinal, eu não deixei de usar o Pidgin por causa disso de um problema que foi ocasionado pela AOL. Eu consegui resolver meu problema e aumentar minha satisfação pelo produto.

All hail to open source development!

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